sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Fernão Capelo Gaivota

A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais do que os rudimentos do voo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer, como de resto a maior parte dos seres humanos. Porém, para esta gaivota, o mais importante não era comer, mas sim voar, saber mais, conhecer mais 'alto'.
Mais que tudo, Fernão Capelo Gaivota adorava voar. Mas, como veio a descobrir, esta maneira de pensar e de ser diferente não o fazia muito popular entre as outras aves, em especial dos 'chefes do bando' que o obervavam desconfiados. Até os próprios pais se sentiam desanimados ao verem que Fernão passava os dias sozinho, a experimentar, a cogitar, fazendo centenas de voos...
Não sabia porquê, mas, por exemplo, quando voava sobre a água a uma altitude inferior ao comprimento das suas asas abertas, conseguia manter-se no ar durante mais tempo e com menos esforço. Os seus voos não acabavam com o habitual mergulhar de patas abertas no mar, mas com um pousar leve, de patas bem unidas ao corpo. Quando começou a pousar em pé sobre a praia e depois a medir o comprimento da aterragem, os pais ficaram deveras preocupados.

-Porquê? Fernão, porquê? - perguntava-lhe a mãe - Por que não podes ser como o resto
do bando? Por que não deixas os voos rasos para os pelicanos e para o albatroz?
Por que não comes? Filho, és só penas e osso!
-Não me importo de ser só penas e ossos, mãe. Só quero saber aquilo que consigo fazer no ar,
e o que não consigo, mais nada. Só quero saber.
-Ouve lá, Fernão - disse-lhe o pai com bondade - O Inverno aproxima-se, haverá poucos
barcos e o peixe das superfícies irá para zonas mais profundas. Essa história dos voos está
muito bem, mas sabes que não te podes alimentar só disso. Se tens mesmo de estudar, então
estuda a comida e a forma de a conseguir. Não te esqueças que a razão por que voas é comer.

Fernão baixou a cabeça, obediente. Durante os dias seguintes tentou comportar-se como todas as outras gaivotas, tentou mesmo a sério, disputando com o resto do bando a comida dos pontões e dos barcos de pesca, mergulhando para apanhar pedaços de peixes e pão. Mas não conseguiu.

"É tão inútil", pensou, deixando cair deliberadamente uma anchova, que lhe custara bastante a apanhar, aos pés de uma velha gaivota que o perseguia. Poderia ter passado todo este tempo a aprender a voar...


E há tanto para aprender!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado.

(Goethe)

terça-feira, 17 de junho de 2008


Não julgues nada pela pequenez dos começos. Uma vez fizeram-me notar que não se distinguem pelo tamanho as sementes que darão ervas anuais das que vão produzir árvores centenárias.


Josemaría Escrivá


Se os teus projectos forem para um ano, semeia o grão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, instrui o povo.


(Provérbio chinês)




A ideia de criação do blog era um projecto para um ano, então lancei à terra uma semente que como qualquer ser vivo precisa de alimento, água e atenção... confesso que atenção é algo que não tenho dado a este meu projecto. Talvez ainda vá a tempo de corrigir esta minha falha, a natureza tem uma força inexplicável de dar vida aquilo que lançamos à terra. Talvez a minha sementinha me perdoe e vá ainda a tempo de germinar.

No fundo penso que tenho dado muita atenção à instrução do povo, ambicionando assim projectos muito mais ousados mas também mais enriquecedores do ponto de vista pessoal e profissional.

A transmissão de saber torna-nos mais adultos, mais solidários... mas sobretudo mais sábios e melhores pessoas, basta para isso abrir o coração e mostrar vontade de aprender o que os nossos educandos têm para nos ensinar.Porque também eles detêm um conhecimento prático que a própria vida lhes ensinou e porque a sua experiência conta, isso torna-os professores da vida.

A todos eles, obrigada por não desistirem de aprender um pouco mais...obrigada por não desistirem dos projectos que com esperança lançam no futuro.


segunda-feira, 12 de maio de 2008

gabriel perdeu as asas


Gabriel perdeu as asas, já não consegue voar...

O céu fugiu-lhe debaixo dos pés e os sonhos voaram na brisa que corria incessante pelos cabelos finos e dourados. O desejo ficou ainda assim inabalado... recuperar as asas perdidas e assim continuar a voar.